Na sua 22.ª edição, uma das mais prestigiadas distinções da inovação empresarial em Portugal reúne seis finalistas que representam diferentes formas de transformar conhecimento em crescimento — da engenharia industrial à fotónica, da segurança do numerário à biotecnologia e produção biofarmacêutica.
A vencedora será anunciada a 18 de Novembro, em Évora, no 16.º Encontro PME Inovação, com a presença do Presidente da República.
A 22.ª edição do Prémio PME Inovação COTEC–BPI registou um novo máximo de participação, com quase 400 candidaturas de empresas portuguesas. Após um exigente processo de avaliação, foram seleccionadas seis finalistas, cujos percursos demonstram como a inovação, quando integrada na estratégia e na gestão empresarial, se transforma em crescimento, criação de valor e competitividade internacional.
Os percursos dos vencedores das várias edições do Prémio PME Inovação COTEC–BPI demonstram como o conhecimento e a inovação sustentam o crescimento empresarial. As 26 empresas distinguidas desenvolvem actividade nas indústrias transformadoras (54%), na informação e comunicação (35%) e na consultoria e actividades científicas (12%). Uma análise a 15 vencedores distinguidos até 2022 revelou, desde o ano da distinção, aumentos médios anuais de 9,3% no volume de negócios, 9,2% no valor acrescentado bruto (VAB), 6,3% nas exportações e 3,7% no emprego.
Criado em 2005, o Prémio PME Inovação COTEC–BPI é uma das mais antigas e reconhecidas distinções da inovação empresarial em Portugal. Ao longo de mais de duas décadas, tem identificado e dado visibilidade a empresas que fazem do investimento em conhecimento, tecnologia, talento e activos intangíveis a base de modelos de negócio diferenciadores e de trajectórias consistentes de crescimento.
O processo de selecção desta edição começou com a identificação de 76 empresas semifinalistas, das quais 66 participaram numa avaliação aprofundada dos seus modelos de crescimento e práticas de gestão. A análise conjugou indicadores económicos e financeiros, trajectórias de crescimento, criação de valor, internacionalização e respostas a dilemas concretos de gestão associados ao crescimento empresarial.
Deste processo resultaram seis finalistas, provenientes de diferentes sectores, escalas e gerações empresariais. As empresas finalistas têm em comum a capacidade de transformar competências científicas e tecnológicas em soluções com aplicação económica, conquistar clientes em mercados exigentes e desenvolver novas capacidades para sustentar o crescimento.
Seis empresas, seis percursos de crescimento pela inovação
As finalistas da edição de 2026 são:
OBERTHUR FEERICA, S.A. — Tecnologia e segurança do numerário
Desenvolve sistemas tecnológicos de protecção de caixas automáticas, transporte e manuseamento de valores, combinando engenharia, electrónica e soluções inteligentes de segurança. A integração da FEERICA com a Oberthur Cash Protection representa uma nova etapa de crescimento, reunindo competências industriais, tecnológicas e comerciais para reforçar a presença internacional.
SOMENGIL, S.A. — Reinventar a lavagem industrial
Desenvolve e fabrica sistemas industriais de lavagem e desinfecção, com tecnologia própria que combina eficiência operacional, redução do consumo de recursos e adaptação às necessidades dos clientes. A empresa transformou uma solução de engenharia numa plataforma tecnológica com aplicações em diferentes sectores e mercados internacionais, tendo ultrapassado recentemente os 10 milhões de euros de volume de negócios.
PICADVANCED, S.A. — Fotónica portuguesa para as redes de telecomunicações
Especializada em fotónica e optoelectrónica, desenvolve componentes, circuitos ópticos integrados e soluções tecnológicas para redes de telecomunicações de nova geração. A empresa combina investigação e engenharia próprias com parceiros industriais internacionais, transformando conhecimento tecnológico avançado em produtos e soluções para mercados globais.
STEMMATTERS – BIOTECNOLOGIA E MEDICINA REGENERATIVA, S.A. — Da biotecnologia à produção de matérias-primas biológicas
Desenvolve e fabrica matérias-primas biológicas e presta serviços especializados de desenvolvimento e fabrico para aplicações biotecnológicas e terapias avançadas. A empresa tem vindo a transformar competências científicas e experiência industrial em novas capacidades produtivas, preparando a evolução para um modelo de negócio que integra serviços especializados e produtos próprios.
SOLFARCOS – SOLUÇÕES FARMACÊUTICAS E COSMÉTICAS, LDA. — Conhecimento científico transformado em inovação cosmética
Empresa de base biotecnológica que desenvolve activos à base de péptidos e proteínas para aplicações cosméticas e farmacêuticas. A comercialização internacional de tecnologias próprias na área cosmética demonstra a capacidade de valorizar economicamente conhecimento científico, enquanto a empresa prossegue novas oportunidades de desenvolvimento farmacêutico e outras aplicações biotecnológicas.
GENIBET – BIOPHARMACEUTICALS, S.A. — Biotecnologia aplicada à produção biofarmacêutica
Especializada no desenvolvimento de processos e fabrico de produtos biofarmacêuticos, incluindo terapias avançadas e produtos destinados a ensaios clínicos, segundo exigentes normas internacionais de qualidade e fabrico. A empresa construiu capacidades científicas e industriais que lhe permitem participar em cadeias internacionais de desenvolvimento biofarmacêutico, numa trajectória reforçada pela integração no grupo Recipharm.
Mais do que inovar: saber crescer com a inovação
As seis finalistas ilustram uma transformação importante do tecido empresarial português: a emergência de empresas capazes de competir internacionalmente não apenas pelo custo ou pela capacidade de produção, mas pelo conhecimento que dominam, pelas tecnologias que desenvolvem e pela capacidade de responder a problemas complexos dos seus clientes.
Estes percursos demonstram também que a inovação empresarial não termina no laboratório nem no desenvolvimento de uma nova tecnologia. Exige decisões de investimento, escolhas entre oportunidades concorrentes, construção de competências, organização industrial, desenvolvimento comercial e capacidade de gerir os riscos de crescimento.
É esta relação entre inovação, qualidade de gestão e resultados económicos que distingue o Prémio PME Inovação COTEC–BPI.
A edição de 2026 introduziu ainda uma novidade na avaliação: as empresas semifinalistas que completaram o processo recebem um Relatório de Maturidade para o Crescimento, preparado pela equipa da COTEC Portugal. Esta análise externa e independente identifica características do modelo de gestão e desafios associados à próxima etapa de crescimento, proporcionando às empresas um retorno concreto pela sua participação, independentemente da classificação final.
As seis finalistas passam agora por uma fase de entrevistas aprofundadas, destinada a compreender as decisões, capacidades e mecanismos de inovação que explicam os respectivos percursos de crescimento. Os resultados desta avaliação serão submetidos ao Júri do Prémio, presidido por Afonso Eça, Administrador Executivo do Banco BPI, a quem caberá escolher a vencedora da edição de 2026.
O vencedor do Prémio PME Inovação COTEC-BPI terá acesso ao membership ELITE, uma plataforma de capacitação e networking que apoia PME em crescimento através de formação avançada, mentoria e novas oportunidades de financiamento.
Évora recebe a celebração da inovação empresarial portuguesa
A vencedora será anunciada no dia 18 de Novembro, durante o 16.º Encontro PME Inovação, que terá lugar no PACT – Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, em Évora. A cerimónia de entrega do Prémio contará com a presença de Sua Excelência o Presidente da República.
Sob o tema «Cultura, Inovação e Território», o Encontro reunirá empresários, investigadores, dirigentes académicos e decisores públicos para debater como o conhecimento, a cultura e a liderança contribuem para transformar empresas e criar valor económico e social nos territórios.
Numa cidade que se prepara para ser Capital Europeia da Cultura em 2027, o programa dará particular atenção ao diálogo entre empresas e instituições científicas, à formação avançada e à valorização do talento, à identidade como factor de diferenciação e à capacidade dos territórios para criar condições favoráveis à inovação.
A apresentação das seis finalistas e a distinção da vencedora constituirão o ponto alto do Encontro, celebrando empresas que demonstram, com resultados e percursos concretos, o contributo da inovação para uma economia portuguesa mais competitiva, intensiva em conhecimento e capaz de crescer nos mercados internacionais.